O índice IGP-M impacta bem mais do que o seu contrato de aluguel…
Na verdade, esse é um dos indicadores mais importantes para a inflação brasileira, capaz de influenciar o planejamento financeiro de consumidores, empresários e até investidores.
Venha conosco nesse conteúdo para entender como esse índice funciona, como é calculado e seus principais efeitos na inflação e nos investimentos. Boa leitura!
O que é o Índice IGP-M?
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) foi criado para medir a variação de preços em diferentes etapas, refletindo desde os custos de produção no atacado até os preços finais ao consumidor e da construção civil.
Ou seja, esse indicador não se limita apenas ao consumo das famílias, como o IPCA, mas também capta oscilações em toda a cadeia produtiva, ajudando a antecipar movimentos inflacionários e mudanças no cenário econômico.
Por isso, o índice de IGP-M é um dos principais indicadores de inflação do Brasil, sendo referência para reajustes de contratos, principalmente em setores como aluguel, energia e serviços.
Qual a diferença entre o IGP-M e outros índices de inflação?
Além do IGP-M, o mercado brasileiro ainda conta com outros índices de inflação, como o IPCA e o INPC para medir o aumento ou a perda do poder de compra da população e o desempenho de investimentos, por exemplo.
Confira abaixo as principais diferenças entre esses indicadores:
| Critério | Índice IGP-M | IPCA | INPC |
| Órgão responsável | Fundação Getúlio Vargas (FGV) | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) |
| O que mede | Preços em diferentes etapas da economia (produção ao consumo) | Inflação oficial (consumo final) | Inflação para renda baixa |
| Público-alvo | Cadeia produtiva e contratos | Famílias (1 a 40 salários mínimos) | Famílias (1 a 5 salários mínimos) |
| Composição | IPA (60%), IPC (30%) e INCC (10%) | Cesta de consumo via POF | Cesta de consumo (maior peso para itens básicos) |
| Principal uso | Reajuste de contratos e tarifas | Base para política monetária e meta de inflação | Dissídios e reajustes salariais |
Em resumo: o IPCA mostra melhor a inflação sentida pelo consumidor final; o IGP-M capta mais rapidamente pressões no atacado, no dólar, em commodities e na construção civil.
Para que serve o índice IGP-M?
A principal função do IGP-M é servir de base para o reajuste de tarifas e contratos de longo prazo, tais como:
- Aluguéis residenciais e comerciais;
- Mensalidades escolares;
- Tarifas de energia elétrica;
- Seguros e planos de saúde.
Por isso, o índice ganhou popularidade no mercado e passou a impactar diretamente o planejamento financeiro de empresas e consumidores.
Além disso, especialistas e investidores usam o IGP-M também para avaliar o cenário econômico. Afinal, suas variações podem sinalizar pressões de custo e influenciar expectativas sobre inflação e juros.
Por exemplo, por ser fortemente influenciado pelo mercado de atacado (IPA), esse índice reage mais rapidamente a variações de dólar e de commodities do que o IPCA, tornando-se um indicador importante para quem investe em ativos relacionados a essas áreas.
Quem calcula o índice IGP-M?
O índice IGP-M é calculado pela Fundação Getúlio Vargas, por meio do seu instituto de economia, o IBRE (Instituto Brasileiro de Economia). Portanto, a instituição é responsável por coletar, analisar e consolidar os dados que compõem o índice.
Além disso, como a FGV é uma instituição com ampla credibilidade no mercado, o Índice IGP-M se tornou um indicador confiável para reajustes contratuais e análise econômica.
Como calcular o índice IGP-M?
A FGV calcula o do índice IGP-M a partir de uma média ponderada de três subíndices que representam diferentes etapas da economia, cada um com um peso específico na composição final, quais sejam:
- 60% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado;
- 30% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que acompanha o consumo das famílias;
- 10% do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), voltado para o setor da construção civil.
Dessa forma, essa combinação permite que o índice IGP-M capture variações de preços desde a produção até o consumidor final.
Além disso, a FGV faz o cálculo mensalmente, divulgando seu resultado através do seu site oficial. Assim, esse índice reflete a média das oscilações registradas ao longo do período de coleta.
Qual o valor do índice IGP-M hoje?
Em abril de 2026, o índice IGP-M registrou uma alta de 2,73% ao mês, segundo divulgado pela FGV em seu último relatório.
No acumulado, isso representa:
- 2,93% ao ano;
- 0,61% nos últimos 12 meses.
Esse resultado indica uma aceleração recente da inflação medida pelo IGP-M, após meses anteriores com variações mais moderadas ou até negativas.
Confira abaixo o histórico de valores do índice em 2026 até agora:
| Mês | Evolução mensal | Acumulado ao ano | Acumulado nos últimos 12 meses |
| Janeiro | 0,41% | 0,41% | -0,91% |
| Fevereiro | -0,73% | 0,32% | -2,67% |
| Março | 0,52% | 0,19% | -1,83% |
| Abril | 2,73% | 2,93% | 0,61% |
Quando a FGV divulga o IGP-M?
A Fundação Getúlio Vargas divulga o Índice IGP-M mensalmente, geralmente por volta dos últimos dias do mês corrente.
Além disso, a apuração do índice considera os preços coletados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência.
Isso faz com que o IGP-M seja um dos primeiros indicadores de inflação a refletir as movimentações econômicas mais recentes no país.
Em 2026, o calendário de divulgação dos novos valores do índice é:
| Mês | Data |
| Janeiro | 29/01/2026 |
| Fevereiro | 26/02/2026 |
| Março | 30/03/2026 |
| Abril | 29/04/2026 |
| Maio | 28/05/2026 |
| Junho | 29/06/2026 |
| Julho | 30/07/2026 |
| Agosto | 28/08/2026 |
| Setembro | 29/09/2026 |
| Outubro | 29/10/2026 |
| Novembro | 27/11/2026 |
| Dezembro | 29/12/2026 |
Qual a importância desse índice para o mercado?
Embora seja conhecido principalmente por sua função de reajuste nos contratos de aluguel, o índice IGP-M, na verdade, possui grande importância para o mercado brasileiro.
Afinal, esse indicador é um dos principais termômetros da inflação do Brasil, pois capta variações de preços em diferentes etapas da economia.
Por exemplo, quando o índice sobe é um sinal de aumento generalizado de preços, o que pode impactar margens de empresas, poder de compra da população e decisões de política econômica.
Dessa forma, empresas, consumidores, investidores e analistas do mercado analisam o IGP-M para estruturarem suas estratégias.
Além disso, o índice impacta diretamente alguns tipos de investimento e contratos financeiros atrelados à inflação.
Sem falar que sua variação pode afetar diretamente o rendimento real das aplicações. Em um exemplo simples, se um ativo rendesse 15% ao ano, mas a variação do IGP-M foi de 8%, o retorno real seria de 7%.
É possível investir no índice IGP-M?
Em 2002, o Tesouro Direto lançou o Tesouro IGP-M, um ativo cuja rentabilidade era atrelada diretamente a esse índice.
Inclusive, naquela época não havia títulos atrelados ao IPCA, sendo uma das únicas formas de investir na inflação.
No entanto, os papéis do Tesouro IGP-M pararam de ser negociados em 12 de maio de 2006 e, até hoje, não foi lançado mais nenhum ativo financeiro atrelado ao índice.
Portanto, não é mais possível investir no índice IGP-M, nem diretamente nem por meio de outros títulos, como os do Tesouro Direto.
Mesmo não sendo possível investir nele, é importante relembrar que esse ainda é um indicador importante para orientar estratégias e compreender o desempenho de diferentes tipos de investimentos.
Então, fique atento ao desempenho do IGP-M e sempre conte com um suporte de um assessor de investimentos especialista para se manter atualizado em relação aos principais indicadores do mercado!


