Carry trade: o que é, como fazer, vantagens e mais!

Carry trade: imagem de celular e notebook mostrando cotações de ações

Em momentos de grande disparidade entre taxas de juros dos países, o carry trade se apresenta como uma oportunidade de lucro.

No entanto, por ser uma estratégia complexa, apenas quem a executa corretamente consegue obter bons resultados.

Para que você também aproveite essa oportunidade, venha conosco nesse artigo para entender o que é carry trade, como funciona e o passo a passo de como investir nessa operação!

O que é carry trade?

O carry trade é uma estratégia que busca capturar o diferencial de juros entre duas moedas ou mercados. Na prática, o investidor se expõe a uma moeda ou fonte de financiamento com juros menores e direciona os recursos para ativos ou mercados com rendimento superior.

Portanto, o seu objetivo é lucrar com a diferença entre essas duas taxas, conhecida como spread de juros.

Para entender melhor essa estratégia, vamos analisar um exemplo: imagine que você consegue captar recursos em um país onde a taxa de juros anual é de 0,5% e investe esse montante em um país onde a taxa é de 10,5%.

Nesse cenário, o diferencial bruto de juros seria de aproximadamente 10%. Contudo, o resultado efetivo dependerá da variação cambial e dos custos envolvidos.

Quais são os tipos de carry trade?

Existem, basicamente, dois formatos mais comuns dessa estratégia.

  • Carry trade cambial: é o mais tradicional e envolve a diferença de juros entre dois países, em que o investidor toma empréstimo em moeda de menor rendimento e aloca os recursos em moedas de países com juros mais elevados;
  • Carry trade de renda fixa: o investidor capta recursos a uma taxa mais barata e aplica em títulos que pagam taxas mais altas, podendo envolver ou não envolver exposição cambial.

Para quem essa estratégia é indicada?

O carry trade é uma estratégia avançada, que recomendamos para investidores iniciantes.

Afinal, o nível de complexidade e os riscos envolvidos exigem experiência com mercado financeiro, domínio sobre análise de cenário econômico e acesso a ferramentas e produtos específicos.

Portanto, esse tipo de operação é recomendada para investidores experientes e com maior tolerância a risco, que já possuem carteira diversificada e conhecimento sobre câmbio e derivativos.

Por outro lado, investidores iniciantes ou com perfil conservador devem focar em outras estratégias, que não envolvam os riscos do carry trade.

Como fazer carry trade?

Para estruturar uma operação de carry trade, não basta identificar dois países com taxas de juros diferentes e sair operando. É preciso seguir uma lógica bem definida para que a estratégia faça sentido financeiramente.

Veja abaixo o passo a passo recomendado para essa estratégia:

1. Identifique o diferencial de juros

O primeiro passo é mapear países ou ativos com taxas de juros significativamente diferentes, por exemplo, o iene (Japão) e o real (Brasil).

Nesse caso, lembre-se que, quanto maior o spread, maior o potencial de retorno, mas também maior a exposição aos riscos envolvidos.

2. Defina a estrutura da operação

Decida se a operação será via mercado de câmbio, por meio de derivativos como contratos futuros de moeda, ou via produtos de renda fixa. Afinal, cada formato tem características, custos e complexidades distintas.

3. Calcule o custo total da operação

Inclua no cálculo taxas de câmbio, spread bancário, impostos e eventuais custos de hedge. Um carry trade que parece lucrativo no papel pode se tornar ineficiente quando todos esses fatores entram na conta.

4. Defina o tamanho da posição e os limites de risco

Estabeleça com clareza quanto você está disposto a perder antes de abrir qualquer posição, pois operar sem esse critério é um dos erros mais graves nesse tipo de estratégia.

Quais são as vantagens dessa estratégia?

Quando bem executado e em um cenário favorável, o carry trade pode oferecer retornos relevantes. 

A principal vantagem é justamente a possibilidade de lucrar com o diferencial de juros entre economias.

Afinal, não depende exclusivamente da valorização de ações ou outros ativos tradicionais, embora continue existindo exposição ao comportamento das moedas e das taxas de juros.

Além disso, o carry trade é uma boa ferramenta de diversificação para carteiras mais sofisticadas, já que a performance da estratégia não está diretamente correlacionada com a bolsa de valores, por exemplo.

Outra vantagem é que, em períodos em que o Brasil apresenta taxas de juros relativamente elevadas em comparação internacional, o país pode atrair fluxos associados a estratégias de carry trade.

E os riscos do carry trade?

Como toda estratégia com potencial de retorno elevado, o carry trade carrega riscos que precisam ser avaliados com atenção, sendo os três principais:

  • Risco Cambial: se a moeda em que você investiu se desvalorizar frente à moeda em que captou o recurso, o prejuízo cambial pode superar o ganho com os juros;
  • Risco de Taxa de Juros: caso o banco central do país em que você aplicou decida cortar os juros, o spread que tornava a operação atrativa pode ser reduzido ou até eliminado;
  • Risco de Liquidez: a liquidez dos ativos envolvidos e do próprio mercado de câmbio pode se deteriorar em cenários de crise, justamente quando você mais precisa sair da operação.

Carry trade ainda vale a pena?

O carry trade é uma estratégia interessante, mas sua atratividade depende do cenário macroeconômico e das condições de mercado em cada momento.

Afinal, o diferencial de juros entre países não é o único fator que garante bons resultados. Na verdade, oscilações cambiais podem reduzir ou até eliminar os ganhos esperados, especialmente em períodos de maior instabilidade econômica.

Além disso, mudanças na política monetária dos países envolvidos, como cortes ou aumentos inesperados nas taxas de juros, podem alterar rapidamente a relação de risco e retorno da estratégia.

Por isso, antes de realizar o carry trade, você deve analisar os indicadores econômicos, os riscos envolvidos e o cenário internacional.

Caso alguma mudança aconteça durante a operação, que afete os seus resultados, a sua estratégia também deve ser revista e ajustada, conforme os novos dados.

Como reduzir os riscos nessa operação?

Embora seja uma estratégia de risco, existem alguns cuidados que você pode tomar para garantir maior controle dos resultados do carry trade.

Os principais são:

  1. Use instrumentos de hedge cambial: contratos futuros ou opções de moeda são formas eficientes de proteger a posição contra oscilações bruscas no câmbio;
  2. Diversifique moedas e ativos: ao invés de concentrar tudo em um único cenário, e aumentar desnecessariamente a exposição, distribua entre diferentes países e instrumentos;
  3. Monitore os indicadores macroeconômicos: acompanhe de perto inflação, política monetária e estabilidade política dos países envolvidos, pois mudanças nesses fatores podem afetar diretamente a rentabilidade da operação;
  4. Defina limites claros de perda: antes de abrir qualquer posição, estabeleça até onde você está disposto a ir, reduzindo o risco de grandes perdas;
  5. Conte com o apoio de uma assessoria especializada: estratégias como o carry trade exigem análise técnica aprofundada, acesso a ferramentas adequadas e uma visão de risco que vai além do que a maioria dos investidores tem individualmente.

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Com uma equipe de especialistas, nós ajudamos você a avaliar se estratégias como essa fazem sentido para o seu perfil e objetivos, sempre com foco em construir uma carteira sólida e consistente. 

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