Como investir em terras raras? Descubra as oportunidades!

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Felipe Nathan

como investir em terras raras: escavadeira escavando uma terra

Você já se perguntou como investir em terras raras?

Com esse tema cada vez mais em alta, o setor vem se tornando uma oportunidade de investimento cada vez mais atraente para quem busca diversificação e potencial de valorização.

Se você quer entender o que são esses minerais, qual a sua importância para a economia e, principalmente, como investir em terras raras, venha conosco nesse conteúdo e saiba mais!

O que são terras raras?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que possuem propriedades únicas, essenciais para diversas tecnologias modernas, como a produção de smartphones, computadores, carros elétricos e entre outros.

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros na natureza, sendo encontrados em diferentes locais do mundo. Na verdade, o termo “rara” surgiu após cientistas do século XIX terem muita dificuldade em identificar e processar esses minerais.

Isso ocorre por conta do seu baixo teor na rocha e a dificuldade de separá-la de outros elementos, o que também torna o processo extremamente caro e complexo.

Mesmo assim, há um grande investimento nessa atividade, por conta da importância desses elementos para a produção dos principais produtos comercializados atualmente no mercado. 

Assim, esse é um setor estratégico tanto para a indústria global, quanto para investidores atentos às tendências de tecnologia.

Onde estão as terras raras?

As reservas de terras raras estão espalhadas pelo mundo, mas sua produção é concentrada em poucos países, justamente por conta do alto custo de extração e processamento.

Confira abaixo quais são as principais reservas de terras raras no mundo:

  1. China: 44.000.000;
  2. Brasil: 21.000.000;
  3. Índia: 6.900.000;
  4. Austrália: 5.700.000;
  5. Rússia: 3.800.000;
  6. Vietnã: 3.500.000;
  7. Estados Unidos: 1.900.000;
  8. Groenlândia: 1.500.000;
  9. Tanzânia: 890.000;
  10. África do Sul: 860.000.

Qual a importância das terras raras para a economia?

Somente em 2024, a produção mundial de terras raras foi de quase 400 mil toneladas, sendo 70% produzido pela China.

Esse número demonstra que esses minerais desempenham um papel estratégico na economia global, porque estão diretamente ligados a indústrias de alta tecnologia, energia limpa e defesa.

Além disso, o valor das terras raras não está necessariamente atrelado a sua raridade física, mas a sua importância para grandes setores do mercado atual. Veja abaixo suas principais aplicações:

  • Tecnologia e eletrônicos: empresas de tecnologia de ponta buscam garantir o fornecimento desses minerais para manter a inovação e competitividade para manter a alta eficiência dos seus produtos;
  • Energia limpa e mobilidade elétrica: veículos elétricos, turbinas eólicas e baterias avançadas usam terras raras em ímãs e ligas metálicas, sendo que essa demanda tende a crescer com a transição global para energias renováveis;
  • Defesa e aeroespacial: sistemas de radar, mísseis, satélites e equipamentos de comunicação militar utilizam componentes feitos com terras raras e, na geopolítica, o controle desses recursos garante independência tecnológica e segurança nacional.

Portanto, o domínio da produção de terras raras gera vantagens competitivas para países e empresas que possuem acesso às reservas e tecnologia de refino — o que inclui o Brasil.

Já os investidores podem se beneficiar do crescimento desses setores ao direcionar capital para ações, ETFs e projetos de mineração ligados às terras raras, como veremos a seguir.

Qual o cenário atual no Brasil?

O Brasil é o segundo país com maiores reservas de terras raras no mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas desse material.

Além disso, um levantamento Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou que 12 estados brasileiros possuem potencial para a presença dos elementos em seu solo, incluindo: Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná e outros.

Essa descoberta pode colocar o nosso país em uma posição de ainda maior destaque no mercado de minerais estratégicos, atraindo investimentos estrangeiros para o setor.

Contudo, enquanto o Brasil não investe na indústria de refino — atuando principalmente apenas como exportador da matéria-prima bruta — a China continua liderando o mercado. 

Como investir em terras raras no Brasil?

Apesar de ainda estar em fase inicial de exploração, o setor tem crescimento potencial a médio e longo prazo, principalmente devido à demanda global por tecnologia limpa e elementos estratégicos.

Para ingressar nesse mercado e aproveitar os seus rendimentos, você pode investir em terras raras usando essas estratégias:

1. Ações de empresas do setor

Uma das formas mais tradicionais de ganhar exposição a esse mercado é investir diretamente em ações de mineradoras que atuam com terras raras no Brasil, mesmo que sejam estrangeiras.

Antes de investir, analise os seguintes pontos:

  • Relatórios de produção;
  • Capacidade de refino;
  • Contratos internacionais;
  • Riscos ambientais e regulatórios;
  • Recursos medidos e estudos publicados;
  • Licenças ambientais concedidas;
  • Financiamento aprovado ou obras já em andamento;
  • Se a empresa possui projetos viáveis de exploração.

No Brasil, algumas mineradoras com projetos de terras raras são: 

  1. St George Mining, Projeto Araxá, em Minas Gerais;
  2. Viridis Mining and Minerals, Projeto Colossus, Minas Gerais;
  3. Meteoric Resources, Projeto Caldeira, Minas Gerais.

Contudo, como essas empresas são australianas, suas cotas são negociadas na Australian Stock Exchange (ASX), a bolsa de valores da Austrália.

2. ETFs

Outra alternativa mais prática e diversificada é investir em ETFs (fundos de índice) que incluem mineradoras ou empresas globais de terras raras.

Inclusive, alguns ETFs internacionais oferecem exposição indireta ao Brasil, desde que incluam mineradoras que atuam em projetos no país.

Além disso, a vantagem é que essa modalidade permite que o investidor acompanhe o crescimento global do mercado de terras raras sem precisar administrar ativos individuais.

Vale a pena investir em terras raras?

Investir em terras raras pode ser uma oportunidade promissora para investidores que buscam exposição a setores estratégicos da economia, mas também exige atenção aos riscos específicos do mercado.

Entenda abaixo:

Vantagens

  • Alta demanda tecnológica: terras raras são essenciais para eletrônicos, carros elétricos, turbinas eólicas e defesa, garantindo que a demanda global continue crescendo;
  • Potencial de valorização: com a transição energética e avanço tecnológico, o valor destes elementos tende a subir, beneficiando empresas mineradoras e ETFs que exploram o setor;
  • Diversificação de portfólio: ao investir em terras raras, o investidor adiciona ativos estratégicos ao portfólio, com correlação diferente de ações tradicionais, fundos imobiliários ou títulos públicos;
  • Exposição a setores estratégicos do Brasil e do mundo: mineradoras com projetos no Brasil permitem aproveitar o crescimento global sem depender exclusivamente do mercado doméstico.

Riscos

  • Geopolíticos e de concentração de produção: a China domina grande parte da produção e refino mundial, gerando volatilidade de preços e riscos comerciais;
  • Riscos regulatórios e ambientais: mineradoras enfrentam desafios relacionados a licenças ambientais, legislação local e impactos socioambientais;
  • Volatilidade do mercado: empresas do setor podem ter lucro instável, especialmente em fases iniciais de mineração ou expansão de projetos;
  • Liquidez de ativos: algumas ações de mineradoras ou ETFs menores podem apresentar baixa liquidez, dificultando a entrada ou saída rápida do investimento.

Como montar uma estratégia de investimento em terras raras?

O investimento em terras raras é considerado arriscado, uma vez que envolve ativos variáveis, sejam ações internacionais das mineradoras ou ETFs também estrangeiros.

Portanto, essa estratégia exige planejamento e análise cuidadosa, tanto em relação às características do ativo objeto do investimento, como também acerca dos riscos relacionados.

Nesse sentido, veja abaixo o passo a passo de como montar uma estratégia eficiente:

  1. Defina seu perfil de investidor: entenda se você faz parte do grupo dos investidores conservadores, moderados ou agressivos, determinando, em seguida, se esse investimento faz sentido para você e sua tolerância ao risco;
  2. Pesquise empresas e projetos: analise relatórios de produção e viabilidade dos projetos,  avalie riscos ambientais e regulatórios, verifique capacidade de refino e outras características importantes da mineradora;
  3. Considere ETFs: esses fundos reduzem o risco ao agrupar várias empresas do setor, incluindo as que atuam no Brasil;
  4. Estabeleça metas de investimentos: defina quanto do portfólio será destinado a terras raras e os limites de perda e ganho;
  5. Acompanhe notícias e tendências do setor: monitore políticas internacionais, avanços tecnológicos e novas reservas, fique atento a eventos geopolíticos que impactam preços e leia relatórios de mercado, newsletters de mineração e sites especializados.

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