Investir em ações americanas deixou de ser exclusividade de quem mora nos Estados Unidos ou tem grandes fortunas.
Hoje, qualquer investidor brasileiro pode comprar ações de empresas como Apple, Amazon ou Microsoft sem sair do país.
Mas você já sabe como?
Se você também deseja internacionalizar sua carteira, continue a leitura! Entenda como funciona esse processo, o que considerar antes de começar, os riscos envolvidos e muito mais.
É possível investir em ações americanas morando no Brasil?
Sim, é totalmente possível investir em ações americanas mesmo residindo no Brasil. Existem diferentes caminhos para isso, seja por meio de corretoras internacionais, seja por produtos disponíveis diretamente na bolsa brasileira.
Cada modalidade tem características próprias em relação a custos, tributação e complexidade operacional. Por isso, entender as opções disponíveis ajuda a escolher a que melhor se encaixa no seu perfil.
Por que investir em ações americanas?
Em 2025, as principais bolsas de valores dos Estados Unidos registraram o terceiro ano consecutivo de ganhos de dois dígitos, um resultado relativamente raro.
Além disso, o país concentra as maiores empresas do mundo dos principais setores econômicos, incluindo tecnologia e inovação. Dessa forma, o investidor pode obter exposição a setores que possuem menor representação na bolsa brasileira.
Portanto, o mercado americano movimenta um volume financeiro muito superior ao brasileiro e está entre os maiores mercados do mundo, o que amplia as oportunidades de valorização a longo prazo.
Outra vantagem é que investir em ações americanas permite diversificar a carteira e obter exposição ao dólar. Assim, o investidor reduz parcialmente sua dependência da economia brasileira, das crises internas e da volatilidade do real.
Quais são as formas de investir em ações americanas pelo Brasil?
Existem três principais formas de investir em ações americanas estando no Brasil, cada uma com características e níveis de complexidade diferentes, confira:
Investimento direto em bolsas americanas
Nessa modalidade, o investidor abre conta em uma corretora internacional e compra as ações diretamente na bolsa dos Estados Unidos. Dessa forma, ele passa a deter diretamente as ações adquiridas e pode receber dividendos, conforme as regras aplicáveis.
Esse caminho pode envolver mais etapas, especialmente na abertura da conta, no câmbio e na remessa de recursos para o exterior. Mas com um bom suporte, você consegue ter acesso a um catálogo mais amplo de ativos.
ETFs internacionais
Os ETFs internacionais são fundos que buscam acompanhar índices, setores ou estratégias de investimento. Entre eles, estão os ETFs que acompanham índices como o S&P 500, os quais são vendidos tanto nas bolsas internacionais quanto na próprio B3.
Essa opção facilita a diversificação, já que um único ETF pode representar dezenas ou centenas de empresas americanas. Consequentemente, o investidor reduz o risco de concentração em um único ativo.
BDRs de empresas americanas
Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras. Assim, é possível investir em companhias americanas sem precisar abrir conta no exterior.
Essa alternativa costuma ser mais simples para quem já investe pela corretora brasileira. No entanto, a liquidez de alguns BDRs pode ser menor do que a das ações originais.
Como investir em ações americanas pelo Brasil?
Depois de entender as opções disponíveis, veja o passo a passo para começar a investir em ações americanas:
1. Defina seus objetivos
Antes de qualquer decisão, é importante entender o motivo de investir no exterior. Isso ajuda a escolher tanto a modalidade quanto os ativos financeiros que façam mais sentido para os seus objetivos financeiros.
2. Escolha uma instituição para investir no exterior
Se você optar pelo investimento direto ou por ETFs internacionais, será necessário escolher uma corretora habilitada para operar fora do Brasil. Nesse caso, avalie custos, variedade de ativos, facilidade de movimentação dos recursos, suporte ao cliente e reputação da instituição.
3. Envie recursos para a conta de investimentos
Após abrir a conta, será necessário disponibilizar recursos para realizar os investimentos. Dependendo da instituição, o investidor pode enviar reais e realizar a conversão para dólares.
Esse processo geralmente envolve taxas de câmbio e, em alguns casos, tarifas de remessa internacional. Por isso, considere esses custos antes de escolher a instituição.
4. Escolha as ações americanas
Com a conta pronta, chega o momento de selecionar as empresas ou ETFs que farão parte da carteira. Para isso, considere não apenas os dividendos ou retornos financeiros, mas também os fundamentos, setor de atuação e perspectivas de crescimento.
Além disso, avalie os setores do mercado americano e sua exposição na carteira, conforme sua estratégia de investimento.
5. Faça a compra dos ativos
Com os recursos disponíveis e os ativos escolhidos, basta realizar a compra pela plataforma da corretora, processo que pode ser semelhante à compra de ações na bolsa brasileira. Porém, existem diferenças relacionadas à moeda, aos horários de negociação e às regras do mercado americano.
6. Acompanhe seus investimentos
Depois da compra, acompanhe periodicamente o desempenho dos ativos e o cenário econômico americano. Além disso, reavalie a carteira quando seus objetivos ou sua tolerância ao risco mudarem.
Como funciona a tributação ao investir em ações americanas?
A tributação varia conforme a forma escolhida para investir em ações americanas.
No caso de ações adquiridas diretamente no exterior, as aplicações financeiras mantidas fora do Brasil estão sujeitas às regras da Lei nº 14.754/2023.
Atualmente, os rendimentos dessas aplicações estão sujeitos à alíquota de 15%, com apuração e pagamento realizados anualmente na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda.
Além disso, os investidores devem recolher um tributo incidente sobre os dividendos distribuídos por empresas americanas, recolhido diretamente na fonte pelos EUA, com alíquota de 30%.
Já os BDRs negociados na B3, a tributação incide sobre o ganho de capital na venda e sobre os dividendos recebidos, sendo:
- 15% para operações comuns (swing trade);
- 20% para day trade.
Ambos os valores devem ser recolhidos via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda, não se aplicando a isenção dos R$ 20 mil mensais válida para ações brasileiras ordinárias.
Em todos os casos, o investidor deve informar corretamente seus ativos e rendimentos na Declaração do Imposto de Renda, garantindo conformidade com a Receita Federal.
Quais são os riscos de investir em ações americanas?
Assim como qualquer investimento, investir em ações americanas envolve riscos que precisam ser considerados antes de montar a estratégia.
Os principais são:
- Risco cambial: a variação do dólar frente ao real afeta diretamente o retorno do investimento.
- Risco de mercado: oscilações naturais das bolsas americanas influenciam o valor dos ativos ao longo do tempo.
- Risco regulatório: mudanças em leis e regras de tributação podem impactar a rentabilidade obtida.
- Risco de liquidez: alguns ativos específicos podem ter menor volume de negociação, dificultando a venda no momento desejado;
- Risco da empresa: resultados financeiros, decisões administrativas, concorrência e mudanças no setor podem afetar o preço das ações.
Por isso, entender esses riscos antes de investir ajuda a construir uma estratégia mais consciente e alinhada ao seu perfil.
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Investir em ações americanas pode ampliar as possibilidades da sua carteira e trazer mais diversificação em moeda forte. No entanto, essa decisão exige planejamento, análise e acompanhamento constante do cenário internacional.
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